Cooperação para o Desenvolvimento
Moçambique - Noruega

Apresentação das organizações que financiam e implementam projectos de desenvolvimento em parceria com o Estado moçambicano.
Norad (Diretoria Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento)
Esta análise detalha a atuação da Norad (Diretoria Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento) em Moçambique, uma parceria que completa mais de 45 anos e é pilar fundamental na infraestrutura do país.
1. Visão Geral da Organização no País
Tipo de Organização: Governamental. A Norad é o braço técnico do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega.
Início das Operações: A cooperação formal com Moçambique iniciou-se em 1977, focando inicialmente na agricultura e pescas, evoluindo rapidamente para o setor de energia.
Missão e Mandato: Contribuir para que os países em desenvolvimento alcancem o desenvolvimento sustentável e a redução da pobreza através de uma gestão transparente e baseada em evidências.
Instituições Parceiras:
Setor Público: EDM (Eletricidade de Moçambique), INP (Instituto Nacional de Petróleo) e o Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME).
Organismos Multilaterais: IFAD (Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola), ONU e o Banco Mundial.
2. Programas e Setores
A Noruega é o parceiro de referência em Moçambique para o setor extrativo e energético.
Energia e Clima (Setor Âncora): Programas de eletrificação rural e apoio a energias renováveis (ex: Programa de Leilões de Energias Renováveis - PROLER).
Gestão de Recursos Naturais: O programa "Petróleo para o Desenvolvimento" (migrando agora para "Energia para o Desenvolvimento") foca na gestão transparente das receitas de gás natural.
Segurança Alimentar e Pescas: Foco na aquicultura sustentável (parceria com IFAD) e proteção dos oceanos.
Educação e Pesquisa: O programa NORHED II financia parcerias entre universidades norueguesas e a Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
Geographic Coverage: Nacional, com projetos específicos de infraestrutura e aquicultura nas províncias de Maputo, Sofala e Niassa.
Duração: Predominantemente de longo prazo, com acordos institucionais que duram décadas.
3. Objetivos e Metas
Objetivos de Desenvolvimento: Garantir que a riqueza dos recursos naturais de Moçambique se transforme em benefícios sociais e que o país atinja o Acesso Universal à Energia até 2030.
Alinhamento Nacional: Alinhado com a ENDE (Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2015–2035) e o ODS 7 (Energia Limpa e Acessível).
Indicadores: Número de novos lares eletrificados; fortalecimento do quadro legal para o setor de hidrocarbonetos; aumento da produtividade de pequenos aquicultores.
4. Abordagem de Implementação
Cooperação Institucional (G2G): É a marca registada da Norad. Especialistas noruegueses (ex: da Direção Norueguesa de Energia e Água - NVE) trabalham diretamente com a EDM e o INP para transferir competências técnicas.
Fomento ao Setor Privado: Através do fundo Norfund, a Noruega investe como sócia em empresas locais de energia renovável e agroindústria.
Participação Comunitária: Nos projetos de aquicultura e resiliência costeira, as comunidades locais são treinadas em gestão de recursos e técnicas de cultivo modernas.
5. Financiamento e Recursos
Orçamento: A Noruega mantém um dos maiores orçamentos de ajuda per capita do mundo. Para Moçambique, o financiamento anual costuma rondar os 400 a 600 milhões de coroas norueguesas (aprox. 40-60 milhões de USD).
Fontes: Orçamento de Estado da Noruega.
Expertise Técnica: Mobilização de cientistas, engenheiros e economistas noruegueses para apoio direto a instituições moçambicanas.
6. Resultados e Impacto
Dados Quantitativos:
Apoio fundamental para a construção da espinha dorsal do sistema elétrico nacional.
Formação de centenas de técnicos moçambicanos em gestão de gás e petróleo.
Financiamento de leilões que atraíram milhões em investimento privado para energia solar.
Impacto Qualitativo: A Noruega é reconhecida por ajudar Moçambique a criar uma arquitetura de governação sólida para os recursos naturais, promovendo a transparência para evitar a "maldição dos recursos".
Desafios: Atrasos em projetos de gás devido à segurança no Norte e a necessidade de acelerar a transição energética num país ainda dependente de biomassa (carvão/lenha).
7. Monitoria e Avaliação
Metodologia: A Norad possui um departamento de avaliação independente. As avaliações são públicas e frequentemente críticas, visando a aprendizagem.
Transparência: Todas as estatísticas de ajuda estão disponíveis em tempo real no portal norueguês de transparência.
Contacto em Moçambique:
Embaixada da Noruega: Av. Julius Nyerere, Maputo.
Website: norad.no e mno.moçambique.org