BANCOS DE DESENVOLVIMENTO EM MOÇAMBIQUE
China Exim Bank e China Development Bank
China Exim Bank e China Development Bank, maiores credores bilaterais de Moçambique (~US$1,35 bi em dívida), financiam infraestruturas chave (Ponte Maputo-Katembe, estradas, energia, gás) via Belt and Road.
Esta análise detalha a atuação das duas principais instituições financeiras da China em Moçambique: o China Exim Bank e o China Development Bank (CDB). Em 2026, a China mantém-se como o maior credor bilateral de Moçambique, embora a relação esteja a transitar de grandes empréstimos de infraestrutura para parcerias mais focadas em sustentabilidade e parcerias público-privadas.
1. Visão Geral da Organização no País
Tipo de Organização: Governamental (Bancos de Política / Policy Banks).
China Exim Bank: Focado em promover o comércio externo e o investimento chinês em infraestruturas (através de empréstimos concessionais).
China Development Bank (CDB): Focado em financiamentos de larga escala para desenvolvimento industrial, energia e recursos naturais.
Início das Operações: A cooperação intensificou-se drasticamente após 2006 (Fórum de Cooperação China-África - FOCAC), atingindo o seu pico entre 2013 e 2017.
Missão e Mandato: Promover a cooperação económica "win-win", apoiar a internacionalização de empresas chinesas e construir infraestruturas estruturantes no âmbito da iniciativa "Cintura e Rota" (Belt and Road Initiative).
Parceiros: Ministério da Economia e Finanças, EDM (Energia), ANE (Estradas) e empresas chinesas como a China Road and Bridge Corporation (CRBC).
2. Programas e Setores
Os bancos chineses são os arquitetos das maiores obras de engenharia moderna em Moçambique:
Transportes e Obras Públicas (Exim Bank):
Ponte Maputo-Katembe: A maior ponte suspensa de África (financiada com aprox. 700 milhões de USD).
Estrada Circular de Maputo e reabilitação de troços da Estrada Nacional N1.
Porto de Pesca da Beira: Recentemente reabilitado com financiamento chinês.
Energia e Recursos Naturais (CDB):
Gás Natural: Apoio financeiro indireto e direto a participações em consórcios na Bacia do Rovuma (CNPC).
Eletrificação: Linhas de transmissão e subestações para expandir a rede elétrica nacional.
Saúde e Educação (Donativos/Subsídios): Construção do Centro Cirúrgico Nacional e do Instituto Politécnico de Muanza.
Geografia: Nacional, com forte impacto visual e económico em Maputo, Sofala e Cabo Delgado.
3. Objetivos e Metas
Objetivos Estratégicos: Transformar Moçambique num corredor logístico regional e garantir o acesso a recursos naturais (minérios e gás) necessários para a economia chinesa.
Alinhamento Nacional: Alinhado com a Estratégia de Industrialização de Moçambique e o Plano Quinquenal do Governo.
Indicadores: Redução no tempo de transporte entre o sul e o norte, aumento das trocas comerciais bilaterais (que ultrapassaram os 5 mil milhões de USD em 2024) e capacidade de escoamento de gás natural.
4. Abordagem de Implementação
Empréstimos Concessionais e Comerciais: Frequentemente condicionados à contratação de empresas de construção chinesas.
Financiamento por Ativos: No passado, alguns empréstimos foram garantidos por recursos naturais (modelo "Angola"), embora Moçambique tenha procurado diversificar estas garantias.
Perdão de Juros: Em 2024/2025, a China anunciou o perdão de juros sobre empréstimos concedidos até 2024 e doações para apoiar a balança de pagamentos.
Parcerias Locais: Em 2025, o CDB assinou acordos com bancos locais (como o BCI) para financiar especificamente Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
5. Financiamento e Recursos
Volume de Dívida: A China detém cerca de 1,35 mil milhões de USD da dívida externa de Moçambique (aprox. 15% do total).
Fluxos Recentes (2026): Observa-se um "fluxo líquido negativo", o que significa que Moçambique está atualmente a pagar mais em serviço de dívida (amortizações e juros) do que a receber em novos empréstimos de Pequim.
Donativos: A China mantém um fluxo constante de pequenos donativos (ex: 12 a 14 milhões de USD anuais) para projetos sociais específicos.
6. Resultados e Impacto
Resultados Visíveis:
A Ponte Maputo-Katembe transformou o desenvolvimento urbano e turístico do sul de Moçambique.
O Aeroporto de Filipe Jacinto Nyusi (Xai-Xai) e o novo Terminal do Aeroporto de Maputo.
Impacto Qualitativo: A China é vista como o parceiro que entrega obras rápidas e tangíveis, mas a um custo de endividamento que exige uma gestão macroeconómica cuidadosa.
Desafios: A sustentabilidade da dívida e as críticas sobre a subutilização de algumas infraestruturas (como o aeroporto de Xai-Xai) ou o uso limitado de mão-de-obra local qualificada em projetos de alta tecnologia.
7. Monitoria e Avaliação
Mecanismos: Acompanhamento via Fórum de Macau e comissões mistas bilaterais.Transparência: Os contratos com bancos chineses são frequentemente criticados pela opacidade nas cláusulas de confidencialidade, embora Moçambique tenha melhorado a transparência nos relatórios da dívida pública.
Contacto: Embaixada da China em Maputo: (Gabinete Económico e Comercial).
Website: eximbank.gov.cn | cdb.com.cn
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