pt

Alojamento Estudantil em MOÇAMBIQUE

Os presentes 3 artigos analisam os desafios críticos que moldam a experiência dos estudantes do ensino superior em Moçambique, com particular enfoque na cidade de Maputo. Com base numa análise documental de relatórios sobre alojamento institucional, barreiras socioeconómicas e condições de vida urbana, o estudo explora a nítida dicotomia entre a expansão das vagas universitárias e a precariedade das condições de permanência.

A investigação destaca três dimensões fundamentais: 

primeiro, a degradação física e a falência dos modelos de gestão das residências públicas; 

segundo, o peso da política de "partilha de custos" que empurra as famílias para a vulnerabilidade financeira; 

terceiro, a dependência de um mercado de arrendamento informal e desregulado. O artigo aborda ainda as dinâmicas de género, evidenciando como a infraestrutura deficiente expõe as estudantes a riscos acrescidos de segurança.

Os resultados sugerem que a crise habitacional e o alto custo de vida funcionam como filtros de exclusão social, onde o sucesso académico é condicionado pela resiliência física e económica do estudante. 

Crise Habitacional Universitária - Moçambique

Crise Habitacional Universitária em Moçambique

O Sonho Universitário sob o Peso da Crise Habitacional

Saber Mais

O Custo Invisível do Diploma

Saber Mais

Estudantes e o Mercado de Arrendamento em Maputo

Saber Mais

Lista de opções de alojamento estudantil 


O sistema de alojamento está dividido entre a oferta pública institucional, a oferta privada universitária e o vasto mercado informal que sustenta a maioria dos estudantes deslocados.

1. Residências Universitárias Públicas (Oficiais)

Geralmente geridas pela Direcção dos Serviços Sociais (DSS) de cada instituição. O acesso é prioritário para bolseiros ou estudantes de províncias distantes. Estudantes não-bolseiros podem ocupar vagas como rendeiros (inquilinos), mediante pagamento de taxas sociais.

Universidade Eduardo Mondlane (UEM) - Maputo

A UEM possui a maior rede de residências na capital, distribuídas por localizações estratégicas:

  • Residência 1: Av. Amílcar Cabral, 1254.

  • Residência 2: Av. Mao Tse Tung, 1038.

  • Residência 4: Av. Amílcar Cabral, 928.

  • Residência 5: Av. Mao Tse Tung, 889.

  • Residência 6 ("Tangarão"): Localizada no Campus Universitário Principal (Extensão da Rua da França). É uma das maiores e mais icónicas.

  • Residência 7: Campus Universitário Principal (Residência Feminina).

  • Residência 8: Av. Karl Marx, 939.

  • Residência 9: Campus Universitário Principal.

Escolas Superiores Provinciais da UEM

Alojamento disponível fora da capital para cursos específicos:

  • ESHTI: Escola Superior de Hotelaria e Turismo (Inhambane).

  • ESNEC: Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo (Chibuto, Gaza).

  • ESUDER: Escola Superior de Desenvolvimento Rural (Vilankulo, Inhambane).

  • ESCMC: Escola Superior de Ciências Marinhas e Costeiras (Quelimane, Zambézia).

Universidade Lúrio (UniLúrio)

  • Campi: Disponível em Nampula (Marrere), Niassa e Cabo Delgado.

  • Estrutura: Edifícios típicos com 26 quartos, albergando 4 estudantes por quarto (dois beliches).

Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo)

  • Lar Universitário: Gere um lar que garante alojamento e refeições, focado na área do campus do Lhanguene.

Universidade Zambeze (UniZambeze)

  • Coordena o apoio social e alojamento através do seu departamento de apoio, focado principalmente na Beira e Tete.


2. Residências Universitárias Privadas

Oferecem serviços com maior nível de comodidade, mas a custos significativamente mais elevados.

Universidade Wutivi (UniTiva) - Belo Horizonte

  • Capacidade: 60 camas (segregadas por género).

  • Serviços incluídos: Transporte diário para o campus e três refeições.

  • Custo: Aproximadamente 17.500 MT/mês.

3. Centros Internatos (CILs) - Ensino Secundário e Geral

Destinados ao nível pré-universitário ou técnico, muitas vezes geridos pelo governo ou missões religiosas.

Província de Nampula

  • CI Rapale: Distrito de Rapale.

  • CI Corrane: Distrito de Meconta (Gerido por missionários).

  • CI Namina: Distrito de Mecuburi.

Província da Zambézia

  • CI Samora Machel: Distrito de Mocuba.

  • CI Invinha: Distrito de Gurué (Notado pela boa qualidade das refeições).

  • Lar de Estudantes de Téngua: Distrito de Milange.

4. Mercado Privado e Habitação Informal

Devido à escassez de vagas oficiais, a maioria dos estudantes recorre ao mercado de arrendamento comum em Maputo.

Alojamento Comercial (Maputo)

  • Hostel Maputo / Hostel Estudantil: Opções de dormitórios partilhados.

  • Residências Privadas: Termo genérico para casas adaptadas para estudantes em bairros como Alto Maé e Baixa.

Arrendamento Informal ("Dependências")

Prática comum onde famílias alugam anexos nos quintais. Bairros populares incluem:

  • Polana Caniço: Devido à proximidade com o Campus da UEM.

  • Sommerschield II: Área de expansão com muitos anexos.

  • Alto Maé e Baixa: Preferidos por estudantes da UP e institutos técnicos pela facilidade de transporte.

Projetos de Habitação Menionados

  • Habitat Estudantil: Projeto conceitual em Polana Caniço.

  • Casa Minha & Casa Jovem: Iniciativas de habitação jovem que, embora mais amplas, fazem parte do ecossistema onde os recém-graduados procuram o primeiro lar.

Dica de Contexto Adicional:

Em Moçambique, é muito comum o conceito de "República", onde um grupo de estudantes se junta para alugar uma casa inteira e dividir todas as despesas (renda, água, luz e comida), como forma de baixar o custo de vida individual que discutimos nos capítulos anteriores.