Os Setores Económicos-Chave de Moçambique
Os Setores Económicos-Chave de Moçambique: Compreendendo os Motores do Desenvolvimento

Quando estudamos a economia de qualquer país, não basta apenas saber o que é produzido ou quanto dinheiro circula. Precisamos compreender os setores económicos, que são como os diferentes compartimentos ou divisões da economia, cada um com as suas próprias características, lógicas de funcionamento e contribuições para o bem-estar nacional. Em Moçambique, esta análise setorial revela algo fundamental que vocês precisam compreender profundamente: existe uma dualidade económica acentuada, quase como se duas economias paralelas operassem simultaneamente dentro das mesmas fronteiras nacionais.
De um lado, temos uma economia intensiva em capital, o que significa uma economia onde os investimentos em maquinaria, tecnologia e infraestruturas físicas são enormes, mas o número de pessoas efetivamente empregadas é relativamente pequeno. Esta economia é impulsionada por indústrias extractivas como o gás natural, o carvão e os minerais, e por operações logísticas de grande escala como os portos e corredores de transporte. Estes são os chamados megaprojetos, investimentos de milhares de milhões de dólares que geram manchetes internacionais e estatísticas económicas impressionantes.
Do outro lado, temos uma economia intensiva em trabalho, onde o fator produtivo principal não é a maquinaria avançada mas sim o esforço humano direto. Esta economia é baseada na agricultura de pequena escala e no setor informal, que é aquele vasto universo de atividades económicas que acontecem fora do sistema formal de empresas registadas, impostos e regulamentação. Esta é a economia que sustenta a vasta maioria da população moçambicana, provavelmente mais de oitenta por cento das famílias, embora gere uma fração muito menor do Produto Interno Bruto medido oficialmente.
Esta dualidade cria uma situação paradoxal que vocês encontrarão repetidamente quando estudarem o desenvolvimento económico: é possível ter crescimento económico significativo medido em percentagens de aumento do PIB, impulsionado pelos megaprojetos, enquanto a maioria da população experimenta poucas melhorias tangíveis nas suas condições de vida porque as ligações entre estas duas economias são fracas. Mantendo esta compreensão fundamental em mente, vamos agora explorar como os setores económicos-chave se manifestam em cada região do país.
O Norte: Riqueza Extractiva e Fronteiras Agrárias

Quando analisamos a economia do norte de Moçambique através de uma lente setorial, o que vemos é uma região definida por recursos naturais vastos, alguns já em exploração intensiva e outros ainda em potencial, combinados com uma agricultura de culturas de rendimento que está a expandir-se gradualmente. Todo este sistema produtivo é suportado pelo Corredor Logístico de Nacala, aquela infraestrutura de transporte que já exploraram e que funciona como a espinha dorsal económica da região.
Na província de Cabo Delgado, o setor económico dominante, aquele que literalmente redefine a escala e o perfil económico de toda a província, é o setor extractivo operando a uma escala verdadeiramente global. Para compreenderem o que "escala global" significa neste contexto, pensem assim: os projetos de gás natural na Bacia do Rovuma não são apenas importantes para Moçambique ou mesmo para África, mas têm o potencial de influenciar os mercados energéticos mundiais. As reservas de gás natural aqui descobertas são tão vastas que posicionam Moçambique entre os principais detentores de gás do mundo. Os projetos de Gás Natural Liquefeito liderados por gigantes multinacionais representam alguns dos maiores investimentos de infraestrutura energética em qualquer lugar do mundo nos últimos anos.
Mas o setor extractivo de Cabo Delgado não se limita ao gás. A província abriga também operações mineiras de classe mundial que merecem compreensão detalhada. A mina de grafite de Balama é particularmente significativa no contexto da transição energética global que está a acontecer. Vocês precisam entender que o mundo está gradualmente a afastar-se de veículos movidos a combustíveis fósseis em direção a veículos elétricos movidos a baterias. Estas baterias, especificamente as baterias de iões de lítio que se tornaram dominantes, requerem grafite em grandes quantidades para os seus ânodos, que são os componentes onde a energia é armazenada. À medida que a procura por veículos elétricos explode globalmente, a procura por grafite de alta qualidade também dispara, e Balama está posicionada para ser um fornecedor importante deste material crítico.
A mina de rubis de Montepuez representa outro setor extractivo, desta vez no domínio das gemas preciosas. Os rubis são uma forma de corindo, um mineral de óxido de alumínio, tingido de vermelho pela presença de crómio. São uma das quatro gemas preciosas tradicionais, juntamente com diamantes, esmeraldas e safiras, e os melhores exemplares podem comandar preços astronómicos nos mercados internacionais de joalharia. A descoberta de depósitos ricos em Montepuez transformou Moçambique num dos principais produtores mundiais de rubis, criando uma indústria inteiramente nova.
Aqui está a contradição profunda que vocês precisam compreender: apesar desta riqueza extractiva imensa, aproximadamente oitenta por cento da população de Cabo Delgado continua a depender de pesca de subsistência ao longo da costa, onde famílias saem em pequenas embarcações para capturar peixe suficiente para comer e talvez vender um pouco no mercado local, ou de agricultura de subsistência no interior, onde cultivam pequenas parcelas com milho, mandioca e feijão principalmente para o seu próprio consumo. Estas duas realidades económicas coexistem mas praticamente não se tocam. Os pescadores artesanais de Palma não trabalham nas plataformas de gás ao largo. Os agricultores de subsistência perto de Balama não extraem grafite. A riqueza gerada pelos megaprojetos flui principalmente para fora do país em forma de lucros para investidores internacionais ou para os cofres do Estado em Maputo, com relativamente pouco ficando nas comunidades locais.
A província de Nampula apresenta um perfil setorial mais diversificado, o que em termos económicos geralmente representa maior resiliência e estabilidade. Como a província mais populosa de Moçambique, Nampula funciona como o centro comercial de todo o norte. O setor agrícola aqui não é dominado por agricultura de subsistência, embora esta certamente exista, mas sim por culturas de rendimento, que são culturas plantadas especificamente para venda em mercados nacionais ou internacionais em vez de para consumo próprio.
A castanha de caju é a estrela incontestada da agricultura de Nampula. Para compreenderem a importância desta cultura, precisam saber que o caju não é apenas uma noz, mas o fruto de uma árvore que prospera em climas tropicais e que, uma vez estabelecida, pode produzir durante décadas com relativamente poucos inputs. A castanha que comemos é na verdade a semente que cresce pendurada fora da maçã de caju, uma fruta carnuda mas pouco apreciada internacionalmente. Moçambique tem uma longa e complexa história com a castanha de caju. Durante o período colonial, o país era um dos principais exportadores mundiais, mas após a independência e os anos de guerra civil, a indústria colapsou. Nas últimas décadas, tem havido esforços para revitalizar a produção, não apenas cultivando mais cajueiros mas também processando as castanhas localmente em vez de exportá-las cruas. O processamento de caju, que envolve cozinhar as castanhas para facilitar a remoção da casca tóxica, é intensivo em mão de obra e cria muitos empregos, especialmente para mulheres.
O algodão é a outra cultura de rendimento principal de Nampula. O algodão é uma fibra natural que cresce em cápsulas em torno das sementes da planta de algodão. Quando as cápsulas maturam e se abrem, revelam tufos brancos e macios de fibras que são colhidas, processadas para remover as sementes, e depois fiadas em fio para fazer tecidos. O cultivo de algodão em Nampula geralmente opera através de um sistema de agricultura contratual, onde empresas fornecem sementes e assistência técnica aos agricultores em troca de compromissos de vender a colheita de volta à empresa a preços pré-acordados. Este sistema tem vantagens e desvantagens que vocês devem compreender criticamente. Por um lado, proporciona aos agricultores acesso a inputs e um mercado garantido. Por outro, pode criar relações de dependência e os preços nem sempre são favoráveis aos produtores.
O setor logístico de Nampula, centrado no Porto de Nacala, merece ser entendido não apenas como infraestrutura de transporte mas como um setor económico por direito próprio. As operações portuárias geram empregos diretos em carga e descarga, armazenamento, segurança, administração e serviços aduaneiros. Mas os efeitos multiplicadores estendem-se muito além do porto propriamente dito. Os camiões que transportam mercadorias entre o porto e o interior precisam de combustível, manutenção, hospedagem para os motoristas e alimentação. Os contentores precisam de ser reparados e mantidos. As mercadorias em trânsito precisam de ser seguradas. Esta cadeia de serviços associados ao setor logístico cria uma base económica significativa para Nampula.
O setor de mineração em Nampula, especificamente a extração de areias pesadas em Moma, representa outro exemplo de indústria extractiva de larga escala. As areias pesadas são depósitos minerais que contêm concentrações elevadas de minerais densos como o ilmenite e o rutilo, ambos fontes de titânio. O titânio é um metal com propriedades notáveis: é quase tão forte quanto o aço mas significativamente mais leve e extremamente resistente à corrosão. Estas características tornam-no valioso para aplicações aeroespaciais, implantes médicos e componentes de alta performance. Mas a aplicação mais comum do titânio é na forma de dióxido de titânio, um pigmento branco brilhante usado em tintas, plásticos, papel e até pasta de dentes. A mina de Moma representa um investimento de centenas de milhões de dólares e contribui significativamente para as exportações de Moçambique.
A província do Niassa ilustra perfeitamente o conceito de fronteira agrária, um termo que precisam compreender porque se aplica a várias regiões de África e do mundo. Uma fronteira agrária é uma área que possui vastos recursos de terra e água ainda subexplorados, onde existe potencial significativo para expansão da agricultura comercial. No Niassa, este potencial é imenso devido à combinação de terras abundantes, precipitação confiável, solos razoavelmente férteis e, crucialmente, a recente melhoria nas ligações de transporte através da ferrovia para Nacala.
O setor florestal do Niassa merece atenção especial porque representa um tipo de agricultura de longo prazo muito diferente das culturas anuais. As plantações de pinheiro e eucalipto no Niassa são vastas extensões de terra onde estas árvores de crescimento rápido são cultivadas como cultura. O pinheiro, tipicamente variedades de pinheiro tropical que crescem bem em altitudes médias, é valorizado pela sua madeira que pode ser usada em construção, fabricação de mobília e produção de celulose para papel. O eucalipto, uma árvore originária da Austrália mas que se adaptou extremamente bem aos trópicos africanos, cresce ainda mais rapidamente e é particularmente valorizado para a produção de celulose e como lenha. Estas plantações representam investimentos de décadas, porque as árvores levam anos a atingir o tamanho adequado para colheita, mas uma vez estabelecidas, podem ser colhidas em rotação, proporcionando uma fonte sustentável de matéria-prima.
As culturas agrícolas do Niassa incluem tabaco, soja e feijões, cada uma com as suas próprias cadeias de valor e mercados. O tabaco, apesar das preocupações crescentes de saúde pública globalmente, continua a ser uma cultura de rendimento valiosa que emprega milhares de agricultores. A soja, como já mencionado anteriormente, tornou-se uma cultura globalmente importante devido à sua versatilidade como fonte de proteína e óleo. O Niassa está a emergir como um produtor significativo, embora enfrente desafios de logística para transportar esta cultura volumosa mas relativamente de baixo valor para os mercados de exportação.
O emprego no Niassa, como em muitas províncias predominantemente rurais, concentra-se esmagadoramente no setor agrícola, com mais de oitenta por cento da força de trabalho dependendo direta ou indiretamente da agricultura. Esta dependência extrema de um único setor cria vulnerabilidades, porque más colheitas devido a secas, pragas ou outros problemas podem rapidamente traduzir-se em crises de segurança alimentar e pobreza generalizada.
O Centro: A Espinha Dorsal Energética e Logística

Quando analisamos os setores económicos da região central de Moçambique, o que emerge é uma imagem de uma região que literalmente alimenta energeticamente o resto do país e serve como a principal rota de trânsito para o interior da África Austral. Os setores dominantes aqui são a energia, tanto hidroelétrica quanto baseada em carvão, a mineração de carvão propriamente dita, a logística portuária e de corredores, e diversas formas de agricultura comercial.
A província de Tete é o epicentro industrial pesado desta região, e dois setores definem completamente o seu perfil económico. O setor energético de Tete centra-se na Barragem de Cahora Bassa e na central hidroelétrica associada. Para compreenderem verdadeiramente a importância desta instalação, precisam entender como funciona a geração hidroelétrica. Quando a barragem foi construída através do desfiladeiro do Zambeze, ela criou um reservatório enorme rio acima. A água armazenada neste reservatório tem energia potencial devido à sua elevação acima do nível do rio abaixo da barragem. Quando esta água é libertada de forma controlada através de tubos enormes chamados condutas forçadas, ela desce com velocidade tremenda. No fundo, esta água em movimento rápido faz girar turbinas massivas, que são essencialmente ventoinhas gigantes. As turbinas estão conectadas a geradores, que são máquinas que convertem energia mecânica rotacional em energia elétrica através de princípios de indução eletromagnética.
A capacidade de geração de Cahora Bassa ultrapassa os dois mil megawatts, um número que precisa de contexto para ser compreendido. Um megawatt é suficiente para alimentar aproximadamente mil casas típicas, então dois mil megawatts podem, teoricamente, fornecer eletricidade para cerca de dois milhões de casas. Na prática, claro, a eletricidade vai também para indústrias, escolas, hospitais e outras infraestruturas. Cahora Bassa não serve apenas Moçambique, mas exporta grandes quantidades de eletricidade principalmente para a África do Sul, e estas exportações geram receitas em divisas estrangeiras que são cruciais para as finanças nacionais.
O setor de mineração de carvão em Tete, concentrado no distrito de Moatize, representa o outro pilar da economia provincial. A mineração de carvão aqui opera principalmente a céu aberto, um método que vocês precisam distinguir da mineração subterrânea tradicional. Na mineração a céu aberto, em vez de cavar túneis profundos no subsolo, as empresas mineiras removem camadas de rocha e solo de superfície, chamadas de sobrecarga, para expor os depósitos de carvão que depois são escavados diretamente. Este método é mais barato e mais seguro do que a mineração subterrânea quando os depósitos estão relativamente próximos da superfície, mas cria impactos ambientais e sociais massivos porque transforma completamente a paisagem e frequentemente requer a deslocação de comunidades inteiras.
O carvão de Moatize é classificado em dois tipos principais com usos muito diferentes. O carvão térmico é queimado em centrais elétricas para gerar eletricidade ou usado em processos industriais que requerem calor. O carvão metalúrgico, também chamado de carvão de coque, tem uma qualidade superior e é usado especificamente na produção de aço. No processo siderúrgico, o carvão de coque é aquecido na ausência de ar para criar coque, um material rico em carbono que serve tanto como combustível quanto como agente redutor para extrair ferro do minério de ferro. O carvão metalúrgico de Moatize é particularmente valorizado nos mercados asiáticos, especialmente na Índia, que é um grande produtor de aço mas tem reservas limitadas de carvão de coque de alta qualidade.
A economia de Tete está, portanto, extremamente exposta à volatilidade dos preços globais de carvão. Quando a procura mundial por aço aumenta, os preços do carvão metalúrgico disparam, e Tete prospera. Mas quando a economia global abranda, ou quando políticas ambientais levam a reduções no uso de carvão, os preços caem drasticamente, as operações mineiras tornam-se não lucrativas, trabalhadores são despedidos, e toda a economia provincial sofre. Esta vulnerabilidade a choques externos é uma característica de economias dependentes de commodities que vocês devem compreender criticamente.
Apesar da dominância dos setores energético e mineiro nas estatísticas económicas, precisam lembrar que a agricultura continua a ser o maior empregador em Tete, especialmente o cultivo de tabaco. A maioria das famílias em Tete não trabalha nas minas ou na barragem, mas cultiva pequenas parcelas de terra, frequentemente combinando culturas de subsistência para alimentação própria com uma cultura de rendimento como o tabaco para gerar algum dinheiro.
A província de Sofala ilustra perfeitamente como o setor logístico pode tornar-se o motor económico de toda uma região. A economia de Sofala gira literalmente em torno do Porto de Beira e do Corredor da Beira, que não são apenas infraestruturas físicas mas sistemas económicos complexos. Pensem no porto não como um lugar mas como uma máquina económica que processa fluxos de mercadorias. Navios chegam carregados com contentores de produtos manufaturados da Ásia, Europa e outros lugares. Estes contentores são descarregados por guindastes massivos, inspecionados pelas alfândegas, armazenados temporariamente em terminais, e depois carregados em camiões ou vagões de comboio que os transportam através do corredor para o Zimbabué, Maláui ou Zâmbia. Na direção oposta, mercadorias destes países encravados, tabaco do Maláui, minerais do Zimbabué, chegam a Beira e são exportadas pelo mar.
Cada etapa deste processo envolve trabalho, expertise, equipamento e serviços. O setor logístico emprega estivadores que carregam e descarregam, operadores de guindastes, inspetores aduaneiros, despachantes que tratam da papelada, seguradoras que cobrem os riscos, empresas de armazenamento, transportadoras rodoviárias e ferroviárias, mecânicos que mantêm os equipamentos, fornecedores de combustível, e uma vasta rede de serviços de apoio desde restaurantes para trabalhadores portuários até empresas de segurança. O Porto de Beira não é apenas vital para o Zimbabué, mas toda a economia regional depende desta ligação funcionando eficientemente.
Para além da logística, Sofala tem setores produtivos próprios significativos. As plantações de açúcar em localidades como Mafambisse e Marromeu representam agricultura comercial de larga escala. O açúcar é cultivado em vastas extensões de cana-de-açúcar que, quando madura, é colhida e transportada para fábricas onde é processada. O processo envolve esmagar a cana para extrair o sumo, fervê-lo para concentrar os açúcares, e cristalizá-lo para produzir o açúcar granulado que conhecemos. Esta indústria emprega milhares de pessoas diretamente nas plantações e fábricas, e muitas mais indiretamente em serviços associados.
O setor pesqueiro de Sofala, especialmente a pesca industrial de camarão no Banco de Sofala, representa outro componente económico importante. O camarão moçambicano é um produto de exportação valioso, apreciado em mercados europeus e asiáticos pela sua qualidade. A pesca de camarão opera através de barcos de arrasto que arrastam redes especiais pelo fundo do mar raso, capturando os camarões. Os camarões são então processados a bordo ou em instalações terrestres, congelados e exportados. Este setor gera receitas de exportação significativas, embora enfrente desafios de sustentabilidade relacionados com a sobrepesca e impactos nos ecossistemas marinhos.
A província de Manica desenvolveu um perfil económico centrado na agricultura de exportação de alto valor. A razão pela qual certas culturas prosperam em Manica mas não noutras províncias relaciona-se diretamente com a geografia física que já estudaram. As terras altas de Manica têm um clima tropical de altitude, o que significa temperaturas moderadas em vez do calor opressivo das planícies costeiras. Muitas culturas de alto valor, especialmente frutas temperadas e subtropicais, preferem estas condições mais frescas.
A macadâmia é o exemplo perfeito. Esta noz cremosa e rica comanda alguns dos preços mais altos de qualquer fruto seco nos mercados internacionais, frequentemente ultrapassando quinze dólares por quilograma no retalho, muito mais do que amendoins ou mesmo amêndoas. As árvores de macadâmia crescem bem nas terras altas subtropicais e, uma vez estabelecidas, podem produzir durante cinquenta anos ou mais. No entanto, há um desafio temporal significativo: as árvores levam cerca de cinco a sete anos após o plantio para começarem a produzir comercialmente, o que significa que os investidores precisam de capital paciente e visão de longo prazo. Manica tornou-se um centro de produção de macadâmia, com tanto plantações de grande escala operadas por empresas quanto esquemas de agricultura contratual onde pequenos agricultores cultivam as árvores e vendem as nozes a empresas processadoras.
Os citrinos, abacates e tabaco completam o portfólio agrícola de exportação de Manica. Cada uma destas culturas tem as suas próprias exigências agronómicas, desafios de pós-colheita e cadeias de valor. O tabaco, por exemplo, requer cura cuidadosa após a colheita, onde as folhas são secas lentamente em estruturas especiais para desenvolver os sabores e aromas desejados. Os citrinos requerem gestão cuidadosa de pragas e doenças e têm uma janela de colheita crítica para apanhar o equilíbrio certo entre acidez e doçura.
O setor mineiro de Manica centra-se principalmente no ouro, e aqui precisam compreender a distinção entre mineração industrial e artesanal. A mineração industrial de ouro envolve empresas com equipamento pesado, processos químicos complexos para extrair o ouro do minério, e operações formalmente licenciadas e reguladas. A mineração artesanal, por outro lado, envolve indivíduos ou pequenos grupos usando técnicas básicas, frequentemente apenas picaretas, pás e bateias, para procurar ouro em rios ou escavar poços rasos. A mineração artesanal emprega muito mais pessoas do que a industrial mas enfrenta enormes desafios de segurança, impactos ambientais, e frequentemente opera numa zona cinzenta entre o formal e o informal.
A província da Zambézia apresenta um setor económico dominado por plantações agrícolas de larga escala e mineração emergente. O setor de chá centrado nas terras altas de Gurué é historicamente significativo porque remonta ao período colonial quando as condições ideais desta região foram reconhecidas. O chá é uma cultura permanente, cultivada em arbustos que são podados regularmente e cujas folhas jovens são colhidas continuamente. As folhas colhidas são depois processadas através de secagem, enrolamento, oxidação e torrefação para produzir diferentes tipos de chá. As plantações de chá em Gurué empregam milhares de trabalhadores, embora as condições de trabalho e salários têm sido historicamente problemáticos, um legado da era colonial que persiste em alguma medida.
O coco é outro setor agrícola importante na Zambézia, especialmente ao longo das áreas costeiras. Os coqueiros prosperam em climas tropicais costeiros e produzem tanto cocos maduros, cujo interior branco pode ser processado em copra para extração de óleo, quanto água de coco, que se tornou uma bebida comercialmente popular. A mineração de areias pesadas na Zambézia está numa fase emergente, com projetos de exploração em distritos como Chinde e Pebane, mas ainda não atingiu a escala de produção vista em Nampula ou Gaza.
O Sul: Indústria, Gás e Serviços

A região sul de Moçambique apresenta a estrutura setorial mais diversificada e sofisticada do país, refletindo não apenas a proximidade à África do Sul mas também a concentração histórica de investimento e desenvolvimento de capital humano. Os setores aqui vão desde indústria pesada até serviços financeiros, passando por turismo de alto valor e extração de recursos.
A província de Inhambane oferece um modelo fascinante de economia dual onde setores aparentemente contraditórios coexistem com sucesso. O setor energético de Inhambane baseia-se nos campos de gás natural em terra de Pande e Temane, operados pela multinacional sul-africana Sasol. Estes campos de gás são diferentes dos projetos de GNL ao largo de Cabo Delgado que discutimos anteriormente. Aqui, o gás é extraído de reservatórios subterrâneos através de poços perfurados em terra, processado em instalações próximas, e depois transportado por gasoduto. Parte deste gás vai para centrais elétricas em Moçambique, onde é queimado para gerar eletricidade, tornando Inhambane um contribuidor crucial para a segurança energética nacional. Outra parte é exportada para a África do Sul através de gasodutos transfronteiriços, alimentando indústrias e centrais elétricas sul-africanas.
O setor turístico de Inhambane contrasta marcadamente com a indústria extractiva do gás. Centrado em destinos como Vilankulo, Tofo e o Arquipélago de Bazaruto, o turismo aqui não é turismo de massa mas sim turismo de nicho de alto valor. Os visitantes que vêm a Bazaruto não procuram pacotes de férias baratos, mas experiências exclusivas em resorts de luxo com praias privadas, mergulho em recifes de coral pristinos, e encontros com vida marinha como tubarões-baleia e raias manta. Este tipo de turismo gera receitas significativas por visitante, muito mais do que turismo de volume, embora empregue relativamente menos pessoas. No entanto, os empregos criados, desde guias de mergulho até gestores de resort e chefs, tendem a ser de qualidade superior à média do setor turístico.
O setor agrícola de Inhambane concentra-se principalmente na produção de coco e caju, culturas bem adaptadas ao clima costeiro tropical da província. A copra, que é a polpa branca seca do coco, é processada para extrair óleo de coco, que tem aplicações tanto alimentares quanto industriais. Os coqueiros ao longo das áreas costeiras de Inhambane criam paisagens icónicas de palmeiras que também têm valor turístico, mostrando como diferentes setores podem ter sinergias.
A província de Gaza transformou-se economicamente nos últimos anos devido ao desenvolvimento do setor mineiro. O projeto de areias pesadas de Chibuto, focado na extração de titânio e zircónio, representa um dos maiores depósitos destes minerais em qualquer lugar do mundo. O zircónio, que talvez não conheçam tão bem quanto o titânio, é outro mineral com aplicações industriais importantes, especialmente em cerâmicas de alta performance usadas em tudo desde revestimentos de fornos até próteses dentárias. Este megaprojeto mineiro em Chibuto envolveu investimentos de milhares de milhões de dólares e, quando plenamente operacional, gerará receitas de exportação substanciais durante décadas.
Mas Gaza também mantém a sua identidade como o celeiro do sul através do setor agrícola, especialmente o cultivo de arroz no Esquema de Irrigação do Chókwè. Este esquema é um sistema extenso de canais, comportas e infraestruturas que permite a irrigação controlada de milhares de hectares de terra ao longo do vale do Limpopo. O arroz, uma cultura que requer grandes quantidades de água durante o crescimento, prospera nestas condições irrigadas. Gaza também possui o maior rebanho bovino do país, refletindo uma tradição pastoril que remonta a séculos. A criação de gado não apenas fornece carne e leite mas também representa riqueza e capital social em muitas comunidades rurais.
Um aspeto do setor económico de Gaza que não aparece em estatísticas oficiais mas é absolutamente crucial para compreender a realidade económica da província são as remessas de trabalhadores migrantes. Milhares de homens de Gaza trabalham nas minas da África do Sul, na construção, na agricultura comercial e noutros setores. O dinheiro que enviam de volta para as suas famílias, frequentemente através de canais informais ou serviços de transferência de dinheiro, representa uma fonte de rendimento que pode ser tão importante quanto qualquer setor produtivo local para o bem-estar de muitas comunidades.
A província de Maputo, excluindo a cidade capital, representa o motor industrial de Moçambique, e o símbolo mais visível deste setor industrial é a Mozal, a fundição de alumínio. Já explicaram anteriormente como funciona uma fundição de alumínio, mas vale a pena enfatizar a escala desta operação. A Mozal é a maior empresa industrial de todo o país, empregando milhares de pessoas diretamente e muitas mais indiretamente através de fornecedores e serviços associados. A fundição processa centenas de milhares de toneladas de alumínio por ano, que é então exportado principalmente para mercados na Ásia, Europa e América. A Mozal contribui uma fração significativa das exportações totais de Moçambique, tornando-a estrategicamente importante para as finanças nacionais.
O Parque Industrial de Beluluane representa uma tentativa de replicar o sucesso da Mozal atraindo outras indústrias transformadoras para uma zona especialmente desenvolvida. A ideia por trás de parques industriais é criar economias de aglomeração, onde múltiplas empresas beneficiam de estar próximas umas das outras, partilhando infraestruturas, fornecedores de serviços e até trabalhadores qualificados. Beluluane oferece infraestruturas melhoradas como eletricidade confiável, água, estradas de qualidade, e incentivos fiscais para atrair investimento.
O setor logístico da província de Maputo centra-se no Porto de Maputo e no corredor que liga o porto à África do Sul e à Eswatini. Este porto manuseia volumes massivos de minerais, especialmente crómio e ferrocrómio provenientes do Zimbabué e da África do Sul. O crómio é um metal usado principalmente em ligas de aço inoxidável, enquanto o ferrocrómio é uma liga de ferro e crómio usada na produção de aço. A província de Maputo também tem uma concentração elevada de serviços financeiros e empresas de transporte, refletindo a sua posição como a região economicamente mais sofisticada do país.
Compreendendo as Tendências Nacionais e Estruturas Económicas
Quando damos um passo atrás após esta viagem detalhada pelos setores económicos de cada região, certos padrões e tendências nacionais tornam-se claros, e vocês precisam compreendê-los para terem uma visão verdadeiramente integrada da economia moçambicana.
Primeiro, há uma dominância inegável das indústrias extractivas em toda a extensão do país. Desde o GNL no norte até ao carvão no centro e o gás e areias pesadas no sul, a extração de recursos naturais é o motor primário das receitas de exportação e do investimento direto estrangeiro. Esta estrutura económica centrada em recursos extractivos tem implicações profundas que vocês devem analisar criticamente. As indústrias extractivas geram receitas enormes mas empregam relativamente poucas pessoas. Estão sujeitas a volatilidade extrema de preços nos mercados globais de commodities. Muitas vezes operam como enclaves económicos com ligações limitadas ao resto da economia. E o esgotamento dos recursos é inevitável, o que significa que estas indústrias são por natureza temporárias, levantando questões sobre o que acontecerá quando os recursos se esgotarem.
Segundo, apesar da proeminência dos megaprojetos industriais nas discussões sobre a economia moçambicana, a agricultura continua a ser o maior empregador em absolutamente todas as províncias, sustentando setenta a oitenta por cento da população, maioritariamente numa capacidade informal. Esta realidade é fundamental. Quando falamos sobre desenvolvimento económico em Moçambique, não podemos apenas focar-nos nos grandes projetos visíveis, mas precisamos compreender e abordar a realidade da vasta maioria que depende da agricultura de pequena escala. Melhorar a produtividade agrícola, garantir acesso a mercados, fornecer serviços de extensão agrícola, e criar cadeias de valor que permitam aos agricultores capturar mais valor dos seus produtos são desafios críticos para o desenvolvimento inclusivo.
Terceiro, a economia moçambicana está estruturada horizontalmente em torno de três corredores principais, Nacala, Beira e Maputo, que ligam os portos do Oceano Índico ao interior africano. Esta estrutura geográfica determina os fluxos de comércio e investimento. Os corredores estão relativamente bem desenvolvidos porque servem não apenas Moçambique mas toda a região e geram receitas de trânsito. No entanto, a conectividade interna de norte a sul permanece frágil, dificultando a integração económica nacional. É mais fácil mover bens de Tete para o Zimbabué do que de Tete para Cabo Delgado, porque os corredores leste-oeste foram priorizados sobre as ligações norte-sul.
Finalmente, o setor informal, aquela vasta economia de comércio de rua, transporte de pequena escala, serviços domésticos e agricultura de subsistência que opera fora do sistema formal de licenças, impostos e regulamentação, atua como a principal rede de segurança económica em todo o país. Em províncias como Nampula e Niassa, o setor informal emprega mais de oitenta a noventa por cento da força de trabalho. Este setor é simultaneamente uma força de resiliência, permitindo que as pessoas sobrevivam através da sua própria iniciativa e trabalho árduo mesmo sem empregos formais, e um sinal de desafios estruturais, indicando que a economia formal não está a criar empregos suficientes para absorver a força de trabalho crescente. Quando estudam os setores económicos-chave de Moçambique, estão na verdade a estudar como os recursos naturais, o capital, o trabalho e as capacidades empresariais se combinam em contextos geográficos específicos para criar os meios através dos quais as pessoas ganham a vida e as nações se desenvolvem.